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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sem medo


Sempre tive a clara impressão de que, ao contrario do que muitos dizem, o BDSM é praticado principalmente por pessoas com um autocontrole e autoconhecimento maior do que a maioria. Muitos dizem que sentir prazer com a dor é alguma forma de sociopatia (não descordo) pode sim ser uma reação a algum comportamento como este, mas o que vejo entre os que conheço no meio BDSMer são pessoas centradas, positivas, inteligentes e que buscam nos sentidos humanos formas diferenciadas de chegar ao prazer. Para isso, insisto, é imprescindível que os dispostos a praticar tais práticas busquem informação e conhecimento constantemente.



Achei muito bom o livro Wilma Azevedo - "Sadomasoquismo sem Medo" e acho uma leitura importante. Tanto para os que já se aventuram ou tem curiosidade sobre o assunto quanto para os leigos que gostam de "atirar pedras" sem conhecimento e embasamento nenhum.





Sado masoquismo

Sem  medo



"Qual é o limite do ser humano em relação ao sexo? Talvez esteja na fronteira que separa o jardim das delícias, de onde fomos expulsos ao morder a maçã. As fantasias não têm limites; por mais estranhas que possam parecer, sempre têm explicações. Em nossa infância encontramos fatos onde o despertar sexual marcou-nos de alguma forma, ligando as primeiras impressões que tivemos sobre sexo, para o resto de nossas vidas.

A sensível perspicácia de psicólogos e sexólogos confirmam que “a mente rege o corpo”. Por isso cada um tem sua própria maneira de fantasiar e usufruir dos prazeres sexuais. Mas a sociedade é muito rígida ao julgar atos alheios, quando desejam ser “diferentes”. Desde o “pecado original” estamos condenados a seguir um padrão estipulado pela maioria. Os que ultrapassam esses limites, se fazem felizes com todo direito de quem transgride as leis dos que “atiram a primeira pedra”.


A Dra. Maria Tereza Zanella que tinha uma coluna na revista Nova, em abril de 9l, ao responder a

pergunta de uma leitora, me esclareceu muito:
P. As pessoas realmente têm limites diferentes de dor ou isso é um mito?
R. Apesar de o fenômeno da dor ainda ser subjetivo, complexo, sabe-se que funciona como um sinal de alerta: indica que algo no corpo não vai bem e precisa de tratamento. É, portanto, um mal necessário. Está comprovado que algumas pessoas são mais sensíveis aos estímulos dolorosos. Essa diferença provavelmente tem explicação psicológica. A ansiedade, assim como a depressão, por exemplo, são fatores que contribuem para intensificar a dor, podendo ser até desproporcional à lesão orgânica que a causou (como uma queimadura). Sendo assim, o primeiro passo para sentir menos dor é controlar os fatores emocionais (exatamente o que se tenta fazer nos cursos de preparação para o parto “sem dor”). Importante: a dor não permanece na mesma intensidade o tempo todo após a lesão. É que o próprio corpo, por meio de um “aviso” dos nervos, libera substâncias naturais para amenizar a dor. (É o que acontece com quem está predisposto a sentir prazer e não dor.) "


Trecho retirado de:



Azevedo, Wilma.

S.em m.edo / Wilma Azevedo. – pag 20-31;São Paulo : Iglu, 1998.